Humberstone: cidade fantasma é um retrato real do passado

Atualizado em 8 de janeiro de 2024 – POR ALTIER MOULIN

Humberstone: a cidade fantasma que é um retrato real do passado chileno

Quem chega a Iquique, no norte do Chile a mais de 1.770 quilômetros da capital, vai ouvir sobre a cidade fantasma de Humberstone. Numa terra árida, onde a vida parece ser um tanto mais sofrida, o vilarejo é o retrato de um passado que o Chile parece não querer esquecer.

E, talvez, não deva mesmo esquecer.

A história de Humberstone começa pouco antes da chegada do engenheiro que, mais tarde, daria nome ao projeto: em 1875, James Humberstone deixou a Inglaterra para explorar o salitre no Chile. Ele foi o responsável pela revolução nos processos de exploração e comercialização do produto.

Naquela época, a demanda por salitre pelas lavouras europeias era enorme e o deserto chileno se gabaritava como um importante centro de mineração, um negócio que parecia bom para todos os lados: tanto para o Chile quanto para a Europa.

Humberstone: a cidade fantasma que é um retrato real do passado chileno

Só que havia um pequeno detalhe que o mercado mundial parecia ignorar: os campos de mineração de salitre mais importantes ficavam em territórios da Bolívia e do Peru, e, por causa deles, o Chile declarou guerra à Bolívia, que foi derrotada, mesmo com o apoio do Peru.

Foi exatamente por isso que a Bolívia perdeu o seu acesso ao mar, já que toda a província de Antofagasta passou a ser parte do território chileno.

Prejuízo para os bolivianos e peruanos – que também perderam território – e também para os chilenos, já que a guerra durou quatro caríssimos anos.

O Chile se recuperou mais rápido porque, na época de ouro do salitre, entre o fim do século 19 e o começo do século 20, o país era o principal exportador do fertilizante nitrato de potássio – que parece sal de cozinha, mas não é comestível.

Construção das cidades

Para movimentar uma indústria de milhões – ou bilhões? – era preciso ter gente. Trabalhadores que se revezavam em turnos fazendo a máquina de dinheiro funcionar dia e noite.

Mas como fazer isso em pleno deserto, longe de cidades capazes de fornecer mão de obra e serviços essenciais para manter os operários bem supridos?

A resposta veio com a construção de vilarejos inteiros onde os trabalhadores das indústrias de mineração podiam viver com suas famílias a poucos metros do seu local de trabalho.

Humberstone: a cidade fantasma que é um retrato real do passado chileno

Foi assim, como um passe de mágica, que surgiu Santiago de Humberstone, um dos vilarejos remanescentes mais importantes desse período histórico.

A indústria do salitre entrou em decadência depois da Primeira Guerra, quando bloqueios econômicos impediram o comércio com a Alemanha. Depois, veio a crise mundial de 1929, e a indústria precisou ser vendida.

Humberstone: a cidade fantasma que é um retrato real do passado chileno

Nos anos seguintes, a indústria passou a ser administrada pelo governo chileno, e o vilarejo alcançou o seu auge: 3.700 habitantes – pampinos, como gostam de ser chamados.

Mas não demorou muito para que o império do ouro branco desmoronasse e, assim como seu surgimento repentino, Humberstone viu o fracasso chegar da noite para o dia.

CULTURA PAMPINOSA

Humberstone e Santa Laura contêm mais de 200 edificações e casas onde trabalhadores do Chile, Peru e Bolívia viviam em cidades da empresa. Nelas, eles forjaram a cultura pampinosa. Essa cultura se manifesta em sua rica linguagem, criatividade e solidariedade e, sobretudo, em sua luta pioneira por justiça social, que teve um impacto profundo na história social.

Situado nos remotos Pampas, um dos desertos mais secos da Terra, milhares de pampinos viveram e trabalharam nesse ambiente hostil por mais de 60 anos, desde 1880, para processar o maior depósito de salitre do mundo, produzindo o fertilizante nitrato de sódio, e gerar grandes riquezas para o Chile.

Santiago de Humberstone

Santiago de Humberstone – ou Humberstone, como é mais conhecido – fica em Tarapacá, antigo território peruano, a 45 quilômetros de Iquique.

Entrar nas pequenas casas da cidadezinha onde moravam centenas de famílias de operários é realmente emocionante.

A visita a Humberstone tem um ar de solenidade, porque, a princípio, parece ser um lugar triste. Tem, também, um clima de suspense, porque a gente nunca sabe o que vai encontrar na próxima sala.

E o mais interessante é que tudo é real, tudo está, de fato, como os moradores originais deixaram. Claro que, para sua preservação, regras foram criadas e algumas áreas foram isoladas.

Mesmo assim, dá para sentir os pelos dos braços arrepiarem tamanha a veracidade que esse lugar exala.

Os utensílios domésticos, o rádio que não funciona mais, a escova sobre a penteadeira e os brinquedos das crianças espalhados pelo chão ainda lembram como era a vida em Santiago Humberstone.

Museu a céu aberto

Convertido em um museu a céu aberto, o vilarejo de Santiago Humberstone – que era chamada originalmente de La Palma – parece uma cidade fantasma.

É como se todos os seus moradores tivessem sido abduzidos ou como se tivessem fugido repentinamente deixando quase tudo no lugar.

Na sala que retrata a vida das crianças, brinquedos improvisados com arames, pedaços de pau e latas velhas eram, provavelmente, tudo o que elas podiam ter.

A sala de ferramentas é bastante rústica e simples. Aliás, tudo é assim: as exceções ficam para as casas dos líderes, como a do engenheiro responsável pela indústria, e a do único médico que vivia em Humberstone e que atendia a mais de 500 pessoas.

Na praça principal de Humberstone, onde se desenvolvia a vida social do lugar no seu período de esplendor, estão o hotel, a piscina e a estação de trens.

A única igreja do vilarejo foi demolida, mas ainda estão de pé o mercado, a escola e o belo teatro, onde aconteciam espetáculos de dança, música e peças teatrais. Hoje, ele é usado apenas em ocasiões especiais.

No deserto mais árido do mundo, o que restou de Santiago Humberstone e de Santa Laura – outra mineradora que fica a poucos quilômetros – se tornou um culto à preservação da memória dessas pessoas que dedicaram suas vidas ao trabalho nas salitreiras.

Hoje, as duas antigas indústrias são reconhecidas como Patrimônio da Humanidade, pela Unesco, por registrarem perfeitamente o modo de vida dentro de seus muros.

Planeje sua visita a Humberstone

Quanto custa

Adultos pagam CLP 4.000. Idosos pagam CLP 3.000 e estudantes pagam CLP 2.000. Menores de sete anos não pagam.

Quando ir

Humberstone pode ser visitada durante todo o ano. De março a novembro, das 9h às 18h. De dezembro a fevereiro, das 9h às 19h.

No mês de novembro acontece a semana do salitre, quando a comunidade pampina se une para dar vida a cada canto do povoado.

Embora seja bem grande, você consegue visitar Humberstone sem pressa em pelo menos três horas.

Se animar, dê um pulo em Santa Laura, que mantém quase intacto todo o processo industrial de extração do salitre.

Você pode ver as informações complementares no site do Museo del Salitre.

Como chegar

Existem ônibus, vans e táxis desde Iquique até Santiago Humberstone.

O ponto de partida é o Mercado Público da cidade. O preço em vans compartilhadas é cerca de CLP 15.000 e há vários horários de partidas.

De carro, partindo de Iquique, é preciso pegar a rota A-16 no sentido a Pica. No km 47, à esquerda da estrada, está a entrada da antiga salitreira.

Onde ficar

Iquique é uma cidade pequena, mas muito movimentada durante o verão: em janeiro, acontece o carnaval da cidade e, para conseguir uma boa hospedagem. é preciso fazer a reserva com antecedência. O mesmo acontece em novembro, quando se comemora a semana do salitre.

→ Vejas as melhores opções da cidade

Se você escolher ficar no Centro, as opções de transporte público e de serviços, como mercados e restaurantes, são maiores.

Informações Básicas

Visto

Não é necessário ter  visto para entrar no país e o tempo de permanência é de até 90 dias.

Documentos

Você pode apresentar o passaporte ou a carteira de identidade emitida há menos de dez anos.

Moeda

O peso chileno, representado pela sigla CLP, é a moeda local. Você pode levar dólares e trocar ao chegar.

Vacinas

Não há exigência de vacinação para nenhuma doença não importa qual seja o motivo da viagem.

Seguro viagem

Apesar de não ser obrigatório,  viajar sem um seguro viagem não é uma boa ideia. 

É que nem todos os países têm um sistema de saúde público e gratuito. Na verdade, na maioria deles, viajantes estrangeiros não têm acesso a assistência médica gratuita. Por isso, é muito importante ter o seguro internacional de saúde – também chamado de seguro viagem –, mesmo que ele não seja obrigatório.

O preço do seguro viagem é mais barato do que se costuma pensar e ele garante que você terá atendimento em casos de emergências médicas comuns, como acidentes de trânsito, intoxicações alimentares, acidentes vasculares e infartos cardíacos, por exemplo.

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Este plano é um dos mais baratos e cobre até USD 60.000 em despesas médicas e hospitalares, ideal para imprevistos de saúde durante a viagem, incluindo tratamento para covid-19. Em caso de problemas com bagagem, o seguro garante até USD 1.200 por extravio.

Também inclui cobertura para cancelamento de voo pela companhia aérea e reembolso de até USD 2.000 em despesas não reembolsáveis se for preciso cancelar a viagem por motivos previstos na apólice.

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ITA 60 AM. LATINA

O plano cobre até USD 30.000 em despesas médicas e hospitalares, incluindo tratamento para covid-19. Em caso de extravio de bagagem, a cobertura é de até USD 1.200.

Também há reembolso de até USD 2.000 para cancelamento da viagem pelos motivos cobertos, como problemas de saúde ou falecimento. É uma opção mais acessível, mas ainda completa para quem quer viajar com segurança.

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AC 150 PROMOCIONAL AM. LATINA

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Cobre também cancelamento de viagem por motivos previstos, com reembolso de até USD 2.000 em despesas não reembolsáveis.

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Veja mais dicas do Chile

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